quarta-feira, 9 de setembro de 2015

TEXTOS MEUS - *VIDA OU SOLIDÃO A DOIS?*


VIDA OU SOLIDÃO... A DOIS?

Sou advogada de família aposentada e, embora não advogue mais, por problemas de saúde, sou bastante procurada. 
Nunca gostei de fazer separações, mas há ocasiões em que elas são inevitáveis.
Mesmo assim, ainda que eu advogasse só para uma das partes, antes de levá-las a termo, costumava ouvir os dois lados separadamente (o que faço até hoje com aqueles que insistem em ouvir minhas opiniões, antes de encaminhá-los para outra colega, se assim for preciso), e após 33 anos de experiência profissional, ainda me surpreendo como duas pessoas que se uniram em casamento jurando fidelidade e companheirismo para o resto de suas vidas, acumulam tantos erros repetitivos e edificam um muro intransponível entre si, afastando definitivamente qualquer possibilidade de entendimento!
Essa parede começa, na maioria das vezes com atitudes individualistas que geram um reforçado alicerce de mágoas que vão se acumulando durante a convivência a dois.
Um fere daqui, outro fere de lá...
É evidente que estou falando de vida real e não de contos de fadas!
Estou falando de duas pessoas diferentes, com criações, personalidades e interesses diversos.
Mas e no início, essas diferenças não davam tempero à relação?
O que no início era fascinante passa a ser insuportável.
O que antes era personalidade passa a ser egocentrismo!
O que outrora era economia para o futuro passa a ser avareza!
O que no começo era exaustão passa a ser falta de excitação!
E os desentendimentos e mágoas se sucedem, elevando pouco a pouco uma barreira sólida de sofrimento e dor.
Algumas pessoas procuram alívio em bebidas, amigos, amantes e trabalho.
Tudo é motivo para fugir da convivência a dois e tudo é desculpa para permanecer num relacionamento “estável e conhecido”!
É muito triste ver um casal que deveria ser companheiro, solidário e cúmplice tornarem-se rivais de si próprios, competindo entre si!
Aqueles que formavam uma família se destroem emocionalmente e, muitas vezes fisicamente, fazendo mal a si e ao outro e o pior, envolvendo outras pessoas, principalmente os filhos e familiares, nesse turbilhão de sofrimento.
Até que um dos dois chega ao seu limite e pede a separação, achando que assim termina a mais triste das solidões, que é a "SOLIDÃO A DOIS"... pra mim a pior das solidões e digo isso por experiência própria!
Eu, quando percebo que ainda existe amor entre eles, tento explicar que seria muito melhor que se ouvissem com atenção, de coração e mente abertos a razão das mágoas mútuas, porque se não resolverem essas pendências no primeiro casamento, irão levá-las para outros relacionamentos e cometerão e sofrerão os mesmos erros com roupas novas, mas serão sempre as mesmas iniciais qualidades transformadas em defeitos posteriores. 
A minha maior recompensa é vê-los reconciliados e voltarem para seus lares, dispostos a "apararem suas arestas"!
Já, se certifico que estão irredutíveis, só me resta à esperança de que refaçam a suas vidas e se deixem ser menos infelizes do que naquele momento e com aquela pessoa, afinal a vida passa muito rápida e viemos a este mundo para sermos felizes!
O mais triste é quando novamente sou procurada por um ou pelos dois, tempos depois brigando novamente, desta vez pela pensão alimentícia ou pela guarda, descaso ou possessividade com os filhos... Quando na realidade estão inconformados do outro refazer a sua vida só, ou com outro(a) parceiro(a).
Pessoas assim acumularão frustrações que as farão amargas para sempre!
É evidente que existem exceções, mas na maioria das vezes são as mulheres que tentam até o último momento “discutirem a relação” (intenção tão satirizadas pelos homens!), para salvar um casamento.
Só que, este só tem salvação quando os dois se empenham para que isso aconteça!
Homens e mulheres devem dar valor aos seus companheiros enquanto os têm e podem! Não alimentem mágoas, nem as coloquem para fora aos gritos, pois as pessoas tendem a não serem ouvidas quando berram! Não entrem em competição para ver quem está certo e sim unam forças para construírem ou reconstruírem uma família melhor, mais sólida!
Se a família fosse assim tão descartável, Deus e o Estado não diriam e nem fariam Leis para preservá-las! Podem ter certeza que a verdadeira paz e felicidade estão dentro do seu lar.
Tente agora, não deixe para depois, exorcizar os erros do passado e dos seus antepassados, e escreva melhor e com mais sabedoria a sua própria história!

Dra. Carolina Ferreira
Advogada de Família Aposentada
Setembro/2015.