sexta-feira, 11 de setembro de 2015

*AMADO(A) FILHO(A)!*


AMADO(A) FILHO(A)!
AUTORIA DESCONHECIDA.


O dia em que este(a) velho(a) não for mais o(a) mesmo(a), tenha paciência e me compreenda.
Quando derramar comida sobre minha roupa e esquecer como amarrar meus sapatos, tenha paciência comigo e lembre-se das horas em que passei ensinando-lhe a fazer as mesmas coisas.
Se, quando conversar comigo eu repetir as mesmas histórias, que sabe de sobra como terminam, não me interrompa e me escute. 
Quando era pequeno(a), para que dormisse, tive que lhe contar milhares de vezes a mesma história até que fechasse os olhinhos.
Quando estivermos reunidos e, sem querer, fizer minhas necessidades, não fique com vergonha. Compreenda que não tenho culpa disso, pois já não as posso controlar. Pense, quantas vezes, pacientemente, troquei suas roupas para que estivesse sempre limpinho(a) e cheiroso(a).
Não me reprove se eu não quiser tomar banho, seja paciente comigo, lembra-se dos momentos que lhe persegui e os mil pretextos que inventava para convencer-lhe a tomar banho.
Quando me vir inútil e ignorante na frente de novas tecnologias que já não poderei entender, suplico-lhe que me dê todo o tempo que seja necessário, e que não me magoe com um sorriso sarcástico. Lembre-se que fui eu quem lhe ensinou tantas coisas: comer, vestir-se e como enfrentar a vida tão bem como hoje o faz. Isso é resultado do meu esforço, da minha perseverança.
Se, em algum momento quando conversarmos, eu me esquecer do que estávamos falando, tenha paciência e me ajude a lembrar. Talvez a única coisa importante para mim naquele momento seja o fato de ver você perto de mim dando-me atenção, e não o que falávamos.
Se alguma vez eu não quiser comer, saiba insistir com carinho. Assim como eu fiz com você. Também compreenda que com o tempo não terei dentes fortes e nem agilidade para engolir.
E quando minhas pernas falharem por estar tão cansado(a) e eu já não conseguir mais me equilibrar... Com ternura, dá-me sua mão para me apoiar, como eu fiz quando começou a caminhar com suas perninhas tão frágeis,
E, se algum dia me ouvir dizer que não quero mais viver, não te aborreça comigo. Algum dia entenderá que isto não tem nada a ver com seu carinho ou com o quanto lhe amo.
Compreenda que é difícil ver a vida abandonando, aos poucos, o meu corpo! Que é duro admitir que já não tenho mais vigor para correr ao seu lado, ou para tomá-lo(a) em meus braços como antes.
Sempre quis o melhor para você e sempre me esforcei para que o seu mundo fosse mais confortável, mais belo, mais florido. 
Não me olhe com cara feia. Dá-me apenas o seu coração, compreenda-me e apoie como o fiz quando você começou a viver. Isso me dará forças e muita coragem. 
Da mesma maneira que lhe acompanhei no início da sua jornada, peço que me acompanhe para terminar a minha.
Trata-me com amor e paciência, e eu lhe devolverei sorriso e gratidão, com o mesmo amor que sempre tive por você.
Atenciosamente Teu (ua) Velho(a).