sexta-feira, 15 de novembro de 2013

SERÁ? Não, por favor...

SERÁ?... 
Não, por favor...


Faz muito tempo que não escrevo, mas hoje eu preciso desesperadamente colocar para fora o que estou sentindo...

Esta foto foi tirada a pouco mais de 19 anos atrás... As duas pessoas que estão nas laterais (minha avó materna à esquerda e minha sogra, avó dos meus filhos, à direita) tiveram Alzheimer...

Nessa imagem capturada em 27.10.1994 elas estavam aparentemente sem essa maldita, ou quem sabe para alguns, abençoada demência...

Minha avó Carolina só apresentou sinais da doença em Maio de 2.000 aos 90 anos e a D. Olívia, mais ou menos na mesma época, embora fosse bem mais jovem.

Cuidei da minha avó junto com minha filha e enfermeiras na minha casa. Minha sogra foi cuidada por suas filhas e as outras noras.

Só quem passou por isso sabe o que as cuidadoras ou cuidadores enfrentam. Cada dia é um choque e uma tristeza!

Para quem está do lado do paciente o mais triste é ver essa pessoa fisicamente presente, enquanto seu cérebro vai se despedindo aos poucos... 

É como ver o inverso da espera e do desenvolvimento de um bebê:
- Os bebês aprendem a nos identificar, elas desaprendem...
- Os bebês aprendem a se expressar, elas desaprendem...
- Os bebês aprendem a se locomover, elas desaprendem...
- Os bebês aprendem a controlar as sua necessidades básicas, elas desaprendem...
- Os bebês aprendem a respirar, elas desaprendem...
- E as coincidências "ao avesso" não param por aí, nessa "regressão de vida"...
Há uns dois anos a minha cunhada mais velha, por quem eu tenho um carinho de irmã (foi ela a figura feminina, que me recebeu de braços abertos, quando me casei aos 14 anos e fui embora para a fazenda no Mato Grosso do Sul, que naquela época ainda fazia parte do Estado de Mato Grosso, muito longe da minha família), está diagnosticada com esse mal. 
Foi ela a primeira pessoa a enxergar naquela menina a MULHER que sempre prevaleceu em mim. 
A companheira certa (valente e abusada, uma "urutu cruzeiro", como ele dizia...) para acompanhar meu marido até o fim do mundo sem medir consequências. 
Ela, a Nadir mais do que ninguém, testemunhou o início dessa união. Daquele casal, formado por nós, que se amaria e se admiraria mutuamente até o último suspiro dele, só sobrou esta parte única... que apesar de destruída, foi capaz de se reinventar para terminar de criar  os frutos do nosso amor. 
Estou escrevendo tudo isso, porque hoje me dei conta, que estou me sentindo estranha e confusa e que se eu um dia for diagnosticada com essa doença, ela se manifestou para mim hoje, 15/11/2013!
Vivi muitas "vidas distintas" nesta mesma vida...
Tive reações e sentimentos diferentes após cada aprendizado, mas nunca em tempo algum, deixei de ser verdadeiramente EU...
Isso mesmo, EU, assim com letras maiúsculas, muitas reticências, exclamações e divagações, que encara suas verdadeiras limitações de frente, e que transforma seus medos na força da vencedora que sou, mesmo que muitas vezes tenha "perdido uma ou muitas batalhas"...
Estou saindo de uma terrível alergia medicamentosa, e olha que pra quem teve muuuuuitas tromboses desde os 17 anos, é diabética e enfrenta dores que impedem sua perfeita locomoção há mais de 08 anos, dizer que uma simples alergia foi terrível, é por que foi mesmo!
Para essa minha melhora, apesar dos pesares e dos outros medicamentos contínuos, estou tomando uma dose alta de  corticoide e nesta quietude do feriado, embora com dificuldade, lembrei da minha fisioterapeuta Cristina Rosa (meu anjo loiro), me contar das reações do seu pai, também idoso, quando lhe foi aplicado esta medicamentação...
E é nisso que estou me apegando! Porque não quero ter, ou melhor, que meus filhos, genro, nora e netos acompanhem o meu "nascer invertido", eles não merecem isso!
Para que isso não aconteça, faço as únicas coisas que podem me ajudar, exercito meu cérebro ao máximo (já que as outras prevenções não me são permitidas por absoluta incapacidade física) e me deleito na troca mais pura de amor e carinho com minha família e meus amigos!
Todos os dias, em todos os momentos que eu posso, até mesmo nos difíceis, agradeço a Deus por me dar forças e discernimento para aprender nesta vida o que me foi, está sendo e será ensinado por Ele, que nunca me desamparou, nunca me abandonou e nem se perdeu de mim e, muito menos deixou que eu me perdesse D'Ele.
Beijos carinhosos, amores meus...
Sorocaba, 15 de novembro de 2013.
Carolina Ferreira  

E.T.: Isto não é uma auto-promoção, é apenas um registro, porque vai que... (como diz uma amiga minha, risos, muitos risos)...