sábado, 11 de agosto de 2012

*PERSPECTIVA - Felipe Alexandre*

*PERSPECTIVA*


FELIPE ALEXANDRE
               

Milagres. Palavra forte, né?


 Nunca entendi esse tal de milagre, tive tantas instruções,


 tantas experiências e tantos erros


 que me atenho ao simples fato de que eles não existem.

Pessoas.  Ah! Essas sim eu acredito, acredito na imensidão de erros


que as levam à decídua expectativa do milagre e, ainda assim,


na legitimação deste na individualidade delas mesmas.



As pessoas são como obstáculos de uma corrida interminável e,


de um modo ou de outro, são capazes de prejudicar o final dela.
               
Vai-se um metro, vão quatro, vão dez e quando percebi, o meu segundo quilômetro tinha

acabado de passar. Meus sapatos estavam desgastados e o cansaço estava bem ali,

estampado no meu rosto para quem quisesse ver. De qualquer forma, continuei correndo.

Me recusei a desviar o olhar do horizonte. Não me perdoaria.
               
Então, uma ínfima imagem se reproduziu diante de tantos obstáculos que insistiam em

bloqueá-la. Ela estava perto o suficiente para me garantir o fôlego e o exíguo retorno do

oxigênio aos meus músculos. Desde então venho tropeçando, chutando pedras e pisando

firme, sim, com a incerteza de uma linha de chegada, mas, acima de qualquer coisa, com a

reprodução clara de que o verdadeiro milagre é a minha capacidade em continuar correndo.


Agosto 2012