domingo, 11 de setembro de 2011

*ADEMIR BARROS DOS SANTOS - ED MULATO* - *O COMETA E O FIM DO MUNDO*

Publicado no Jornal Cruzeiro do Sul de 10/09/02011


Este meu amigo querido, de uma inteligência ímpar e de tantas facetas, autor de livros e contos, professor, assessor jurídico e financeiro, etc., etc., etc... está concorrendo ao  PRÊMIO "13º TALENTOS DA MATURIDADE" com este lindo conto "O COMETA E O FIM DO MUNDO".

Peço que o prestigiem votando pelo site: "www.talentosdamaturidade.com.br/edmulato".



        
O Cometa e o fim do mundo
Ed Mulato
Era chegado o tempo do Juízo Final, e o Criador, em sua infinita Bondade, resolveu preparar o fim do mundo: com o auxílio de Ogum, orixá dos metais, criou o meteoro ferroso que deveria chocar-se com o planetinha azul, acabando com ele.
Entretanto, pronto o artefato, o Senhor achou-o muito sem graça, muito chinfrim para tão importante missão: afinal o ferro, embora metal de grande utilidade, enferruja, fica preto, e começa a parecer coisa velha, sucata, sem qualquer brilho, como é comum às coisas de muito uso e precisão. Aquilo ali, definitivamente - e na mais profunda acepção da palavra - denegria a Glória do Criador.
Mas, como ao Senhor tudo é possível, o meteoro, assim mesmo, foi confiado aos cuidados de Gabriel, o ministro vitalício das Relações Exteriores, portador de honrosa folha funcional, onde constavam diversas menções de louvor pelos bons serviços prestados enquanto Secretário Onipotente dos Negócios da Terra: afinal, foi ele quem, além de convencer José que o filho de Maria não era resultado de qualquer passo errado da Virgem – o que lhe deu muito trabalho, pois o judeu, de fato, era muito desconfiado – também falou pela boca de Maomé, sete séculos depois, na criação de nova crença - o islamismo.
Assim, coube a Gabriel instruir o meteoro sobre tudo o que há na Terra, planeta que ele tão bem conhecia. Quanto ao ensino – calculou Gabriel – levaria dois meses terrenos para obter o resultado adequado: o Criador achou pouco, mas o Arcanjo garantiu que, neste tempo, conseguiria desincumbir-se bem da tarefa.
Então - pensou o Criador – há tempo suficiente: é o quanto basta para fazer com que aquela coisa horrível, aquela ferrugem transformada em meteoro, passe pela mesma evolução que os contos terrestres atribuem ao patinho feio; portanto, vou transformá-lo no Cisne Espacial.
Como é do costume de Deus, assim pensado, assim ficou feito e, durante o aprendizado, o meteoro foi crescendo e perdendo as manchas de ferrugem que já lhe marcavam a superfície; não só: ganhou farta cabeleira e vasta cauda, translúcida e brilhante, o que o transformou no mais lindo cometa de todo o universo. Ou melhor: de toda a Criação.
Registre-se que, durante todo o aprendizado e treinamento, o Cometa, sempre atento, com total entrega e sob a segura condução do Arcanjo, absorveu tudo o que lhe seria necessário ao pleno desempenho da missão: adquiriu firmeza no manche, aprendeu a ler o GPS; os demais controles, de tão dominados, pareciam fazer parte, já, de seu próprio corpo; só não se preocupou em saber qualquer coisa sobre aterrissagens e coisas que tais, porque eram conhecimentos que, dado o motivo da missão, lhe eram totalmente dispensáveis: meras futilidades.
Ao fim, nenhum dos instrumentos de vôo e navegação guardava mais qualquer segredo para o esperto, já agora lindo e adolescente, meteoro luzente.
Chegado o dia da partida, o artefato, serelepe, foi levado, devidamente confiante e equipado, à plataforma de lançamento, de onde, sob as bênçãos e rezas de Gabriel, alcançou a velocidade da luz - ou quase.
Entretanto, simulador é simulador, vôo é vôo: logo na primeira curva, o cometinha – digo, Cometa, pois o menino cresceu – quase provoca acidente fatal com Plutão que, como sempre, estava no escuro, em rota de pouca visibilidade; desviando bruscamente, viu-se ele em rota de colisão com Netuno, outro planeta dos confins, das profundas, que não gosta muito de se mostrar e, por isto mesmo, não trazia a sinalização adequada; safando-se a custo, suando um pouco pelo susto, mas já a salvo de acidentes, a passagem por Urano foi tranquila: corrigida a rota, já agora se deslumbra ele com a beleza imensa dos anéis de Saturno.
Ali, foi preciso muita força de vontade, muita concentração para não perder o rumo, pois o menino, curioso como qualquer adolescente, não resistiu à vontade de contornar o planeta enfeitado, e enfeitou-se também: abriu a cauda em múltiplas tiras, exibindo, à Via Láctea, sua nova forma, que o Universo, até então, desconhecia.
Já voltando à rota original e bem mais confiante em sua capacidade para controlar o vôo, passar por Júpiter foi puro sucesso: bastou cruzar-lhe os ralos canais.
É verdade que viajava em vôo solo, mas não sentia qualquer solidão: já se encontrava tão seguro de si, que em momento algum precisou utilizar-se do radiocomunicador que o colocava diretamente em contato com Gabriel – controlador à distância, mas responsável último pelo sucesso da missão.
Feliz e deslumbrado, lá se vai o novo corpo celeste – novinho em folha - concentrado em sua missão; que é suicida, é verdade; mas também é divina!
Já é possível ver Marte, embora grande a distância a percorrer....
E daí? P’ra que a pressa? Que diferença faz um século a mais? Ou a menos? Afinal, o Senhor não lhe havia dado agenda ou prazo para o cumprimento da missão, que, simplesmente, encomendara, esperando bons resultados, não é mesmo? Além do que, é tão linda a vista à distância, daqui da Via Láctea...
No entanto, cá na Terra, a Comissão de Vigilância Espacial, formada pelos mais insignes astrônomos, físicos e astrofísicos, detecta a aproximação do novo corpo celeste; por certo voador, e em rápido movimento; mas ainda não identificado.
- É mais que um OVNI - dizem os astrônomos.
- Mas meteoro, por este tempo, também não se espera...
- Então, o que será aquilo? Uma supernova? ET´s? Alguma estelar invasão?
- Não! É um cometa! É dos grandes! E vem em nossa direção!!!
- Senhor, tende piedade de nós! A morte, agora, não!!!
Evidentemente, como não poderia deixar de ser, a novidade se espalha pelo mundo via net; mais que depressa, vira tema universal; isto, com mais rapidamente que notícia ruim. Aliás, era notícia ruim: a Terra não resistiria ao impacto de tão portentoso artefato, celeste, fatal; era o Juízo Final!!!
É quando o frisson toma conta de todas as nações, facções, opiniões, e muitos outros ões que tais; profetas do Apocalipse, em um só instante, surgem em todos os cantos do mundo, brotados não-sei-de-onde, com suas explicações mirabolantes; a notícia domina a Internet, lanchonetes, kitchenettes e o jornal nacional...
A partir deste momento, hindus, em desespero, transbordam o Ganges; muezins conclamam mesquitas à paz; do Tibet, o Mantra, em som imenso, faz coro aos sinos das catedrais; o Papa, recolhido em vigília, alimenta-se só de oração; batistas batizam ateus, com a fé que restou no Jordão. 
Rangem os dentes, impertinentes, no fundo das grandes prisões; padres não rezam mais missas, batistas não fazem sermões.
Especialistas em Nostradamus, chamados às falas, confirmam o Ato Final:
- Leiam as Centúrias, tudo lá está explicado!
- Mas, me diga uma coisa, doutor Nostradâmico: o homem não escreveu uma carta ao filho, confirmando o fim do mundo só p´ra daqui a dois mil anos?
- É verdade, Sr. Entrevistador. Mas esta carta não diz a verdade do vidente. É que ele não queria o filho apavorado, apavorando tanta gente!
- Aaahhh...! – é o som que vem da platéia, refletindo, na mídia, a desilusão medrosa do Entrevistador.
Interpretações da Cabala, vistas à luz do Zohar: no ato, de fato, o mundo vai acabar; estudiosos de São Pedro, relendo, no Apocalipse, as previsões de João, não conseguem discordar: rompem-se os selos, eis que chegam os Cavaleiros – o mundo vai acabar.
Sucedem-se suicídios na Terra: muito incréu se mata, só por medo de morrer; monges contritos, em auto-imolação, holocaustam a própria vida, pagando os pecados dos não iluminados Companheiros da Inútil Missão; sucedem-se abortos e infanticídios: mães, antecipando suicídios, matam os filhos, para não vê-los morrer.
Cometa passa por Marte: a Terra, por grande aflição.
É quando a ciência comparece, com criativa proposta: se atirarmos nossas bombas no Cometa, ele explode antes que exploda o planeta! Mas, enquanto o Ocidente azeita os potentes canhões de seus satélites espiões...
- Ué, mas se não havia bombas nem no Projeto Guerra nas Estrelas!? - assustam-se os russos, e todos os demais.
- Pero que las hay, las hay! - respondem os espiões internacionais.
- Guerra aos americanos! – ecoam protestos na ONU, em plena Assembléia Geral, agora em permanente reunião.
- Morte aos demônios da América! – fazem coro os ortodoxos do Islã.
- Por que a Guerra, se já tanto faz? Se vamos morrer, morramos em paz!
Por fim a França, convencendo os demais membros do G-8, G-20, e outros G´s que tais, consegue o acordo de conciliação: os americanos devem desarmar suas bombas; logo depois de detoná-las, atinjam o Cometa ou não.
- Ué, mas se a missão falha, vão desarmar o quê? E se não falha, vão desarmar o quê? – é a pergunta cética, como sempre incrédula, que faz a maledicente opinião pública; mas, a ela, apenas diplomáticos ouvidos de mercador respondem, por tão desrespeitosa e impertinente a questão.
Disparadas as bombas - criações da mente humana - nem sequer se arranha a superfície do Cometa - criação de mãos divinas; e tome desespero na Terra!
Então, e por isto, no Monte Carmelo, os Seguidores de Elias mantêm viva toda a sua vigília e jejum, toda a sua devoção: é que sabem que o tal Cometa nada mais é que a carruagem de fogo que levou, aos céus, tão importante profeta, e que, certamente, agora em retorno, trará de volta quem levou; e Elias irá, outra vez, derrotar os quatrocentos e cinqüenta sacerdotes de Baal, matando-os novamente com fogo divino, para a eterna glória do poderoso Javé.
Mães-de-santo, com vistosas oferendas; quem nunca foi santo, com andor e muitas prendas; comerciantes, que fecham as vendas - todos pedem bênçãos a Oxalá; fechado o comércio, nada mais se vende no mundo, além dos carnets de alguns vagabundos, que garantem terrenos murados nos Jardins de Allah.
... e tem mais: terroristas se vestem com discursos explosivos, e acobertados por bandeiras tortas e mitos antigos, atiram-se, ao léu, contra alvos que reputam inimigos, pois se mortos em Guerras Santas - e agora já são tantas - tornam-se príncipes no Céu; hackers, pretensos heróis universais do próprio umbigo cibernético, invadem, em patético ato de não-glória solitária, todas as notícias do mundo, afirmando que a Terra vai e não vai acabar: o pânico engrossa e se expande no ar.
Mas não só: o Sinai se vê tomado, pois só pode ser ali o lugar em que o Senhor virá entregar os Livros da Nova Humanidade.
- Afinal, por que mudar o lugar da espera? Se ali Moisés recebeu a Torah, ali também certamente será o lugar da entrega da Nova Torah; a Torah da Nova Era.
Outros montes são tomados por novas congregações, que pregam a Salvação da Última Hora; também a Seita do Arrependimento Final está formada e já jura: se o Cometa resolver esperar, todos atravessarão a pé o Sinai, em penitência pura; a partir de Jericó, levarão quarenta anos para chegar ao Egito, percorrendo, simbolicamente, o caminho inverso ao da Primeira Salvação!
Mas é em Jerusalém que a coisa fica feia: palestinos e judeus lutam até a morte para morrer em paz. Mas, como judeus não entram nos céus do Islã, e muçulmanos não entram nos céus de Judah...! Alah proverá...!
... e lá vem o Cometa: que já avista um belo ponto azul no fundo do universo.
- Ali é a Terra – pensa ele, que, cui-da-do-sa-men-te... ajusta a rota; confere o GPS; verifica o radar. Liga o piloto automático: não pode se dar ao luxo de errar: a Terra tem que ser atingida bem na linha do Equador; de preferência, em terra firme: a queda no oceano seria um desastre, pois, além de enferrujá-lo, poderia amortecer o impacto, apagar sua bela cauda e desmanchar a linda cabeleira!
Certamente, ali é a Terra, pensa ele, porque, segundo Gabriel, ela é o mais belo planeta do Universo; colorida de azul intenso, com belas matas na África - onde se morre por fome – e na Amazônia – onde se morre por aculturação.
Enfeitada que é com pólos brancos de neve, que parecem espelhar o branco das nuvens “carneirinho” que vagueiam em seus céus, a Terra é um planeta incomparavelmente belo – pensa o Cometa.
De repente enternecido, vacila o Artefato Final. Mas sua missão é divina, e deve inexoravelmente ser cumprida; de nada adianta apaixonar-se pela Terra, pois seu destino é destruí-la e destruir-se: de nada lhe adianta o amor.
Só não sabe, ele, quanto desespero sua aproximação causa na humanidade, que deve acabar por obra e arte sua; mas é por este desespero que o Paquistão invade a Índia, e que explodem bombas separatistas por todo o planeta, enquanto as Irlandas esperam morrer juntas, pois, se a eterna e cristã guerra civil chegar ao final, o abraço será fraternal.
Por certo, ninguém quer deixar incompleto o que começou: tutsis voltam a matar hutus, que matam tutsis, simplesmente porque são tutsis, ou hutus; ou não; é assim que Ruanda se acaba, antes que o Lago Vitória faça jus ao próprio nome.
Muçulmanos matam cristãos, que matam muçulmanos, simplesmente porque são muçulmanos, ou porque são cristãos.
Enquanto isto, o Cometa se posiciona, iniciando a arremetida final. Espalha a cabeleira; pre-gui-ço-sa-men-te, abre a cauda, tal e qual imenso pavão celestial.
Profetas vêem, em seu rastro, o rosto iluminado de Jesus, braços abertos na cruz; outros, a menorah, envolta em luzes azuis. Há quem veja estrelas santas; outros, capetas e coisas tantas, que só quem viver verá. Mas ninguém sobreviverá!
Certos, apenas, os justos sinais dos tempos: o fim está próximo, não há o que questionar. Vigílias são feitas, já à luz do próprio Cometa, que se aproxima, encobrindo a luz da Lua. Todo o mundo o vê na luz que é sua, todo o mundo está nas ruas: afinal, não há como ir embora, e já que a Terra é o nosso planeta...
... é quando o Cometa, concentrado em sua missão, que é incontornável porque divina, esquece-se da última recomendação que lhe deu Gabriel:
- Em sua aproximação final – disse ele – uma vez ajustada a rota, fixe os controles e ligue o piloto automático; então, não olhe mais para nada, certo?
- Aliás – ordenou - feche os olhos; esqueça-se de tudo – recomendou ele, com ênfase e preocupação.
- Por quê? - ousou questionar o insolente Cometinha impertinente.
- Por que esta é a melhor solução – respondeu conciso, com a firmeza, doçura e paciência que só os arcanjos têm, o enigmático Gabriel.
Esquecida esta última e enfática recomendação, aproxima-se célere o Cometa; e, aproximando-se como vinha, pelo Sul do planeta azul, à época em que, na Terra, se comemora o Nascimento de Jesus, deparou-se ele com o nascer do Sol a seu lado, logo ali, a Leste; viu, embevecido, o clarão da Lua refletido nas geleiras polares que, naquele exato momento, encerravam o longo dia iniciado pela Aurora Boreal; viu Galápagos, viu Antilhas; viu baleias e flores, golfinhos multicores... e a Vida repartida entre muitas vidas, que cohabitavam a Mãe Natureza, enquanto esta, de tão ocupada, reproduzia-se infinitamente, sem se dar conta de seu dia final.
O Cometa viu azul, viu verde; viu terra, viu sal.
Embevecido e atônito, viu, por fim, todo o povo abraçado, ajoelhado e em contrita posição; todos unidos, desfeitas todas as diferenças, rezavam juntos, cada um a seu deus - não mais Jeová, sequer Allah, Oxalá, Javé, Orunmilá - mas ao Deus enfim Único, ao qual imploravam, todos, a final remissão.
Viu-os repartindo entre si não mais fronteiras, mas o mesmo medo, difuso e dividido, que se fundia em um só medo universal, já agora transmudado em autopiedade, e que mais parecia enorme profissão de fé. ... e o Cometa, atingido em cheio pela imensurável força que só a concentração da tanta fé pode produzir, sentiu que se lhe aquecia tanto o coração, que começou a derreter-se...
Então, enternecido, percebeu que não poderia mais cumprir sua missão: era impossível que o Criador houvesse decidido acabar com o mesmo mundo que tanta fé, amor e submissão, parecia dedicar-lhe; pareceu ao Cometa, antes, que sua missão era a parcela final de nefando plano arquitetado pelo Arcanjo, certamente reorganizando a insurreição que, já nos tempos de Lúcifer nos Céus, havia fracassado!
Então, sentiu nascer, no mais profundo de suas entranhas, um sentimento novo - e forte - a que chamou Piedade, e que veio, aos poucos, crescendo, crescendo, e transformou-se em tanta luz que irrompeu de si, com o poder que a Natureza só concede às lavas dos vulcões mais poderosos, quando no auge da atividade.
Confuso, cego, envolto em tanta luz, o Cometa viu-se nu, impuro, incapaz de destruir a Terra bela, de onde tanta paz emanava; e por amor a ela, resolveu destruir-se, imolando-se à paixão que o azul da Terra lhe plantara tão fundo em tão dura alma, de metal ferroso, que envelhece, enferruja, descama... mas não morre.
Então, atingindo a atmosfera em meio às rezas aumentadas dos humanos que restavam, todos de mãos dadas e em inédita, desesperada e comovida confraternização, por irmanados frente ao inevitável fim comum, desfez-se ele em mil pedaços e, explodindo no ar, enfeitou, iluminando, o céu, com a mais divina chuva de estrelas natalinas que a este cego mundo jamais foi dado ver.
... e foi então que Deus sorriu, preenchendo, com mais luz ainda, o infinito do Universo... Que é a sua Criação... !

Gostaram? Impossível não gostar, não é o mesmo, então votem e elejam  este sorocabano para trazermos mais um prêmio de valor intelectual para nossa cidade, bjus...
Carolina